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O LACTO-INICIADOR NA ALIMENTAÇÃO DE BORREGOS

As explorações pecuárias devem ser eficientes para gerar uma margem de lucro. A produção ovina não é exceção, sendo a engorda de borregos um passo crucial na criação de valor acrescentado. A chave é maximizar o crescimento e a eficiência alimentar, limitando as perdas.
A fase de engorda pode envolver algum risco. Os borregos são sujeitos a diferentes tipos de stress durante a fase de adaptação/ engorda que podem limitar a sua performance, a eficácia alimentar e o impacto sobre o custo alimentar.
Alguns produtos à base de óleos essenciais mostraram efeitos benéficos sobre parâmetros de ruminação em borregos e, consequentemente, sobre as suas performances (Chaves et al, 2008)
 

Descrevemos um estudo realizado em Miranda do Douro, na exploração do produtor Amadeu — Ambaurama, Centro de recolha/concentração de animais para venda. O negócio desta exploração está dividido em dois setores diferentes:
- compra de ovelhas velhas de refugo, engorda das mesmas durante, aproximadamente, um mês, e venda para Espanha, onde são posteriormente enviadas para Itália;
- compra de borregos ao desmame (com 6 a 8 semanas de vida) para engorda. Depois desse período são enviados para Espanha para exportação.

O presente artigo tem como objetivo demonstrar como maximizar as performances de crescimento em borregos provenientes de várias explorações, alguns muito pequenos na fase de desmame (10 kg de peso vivo), com a utilização de um lacto-iniciador formulado para satisfazer as necessidades destes animais.
Este lacto-iniciador conta, na sua composição, com a utilização de proteína de origem láctea como a principal fonte proteica e de matérias-primas de elevada palatibilidade, uma vez que os animais não estavam habituados a comer alimento concentrado.
Além de apresentar todos os níveis nutricionais adequados (como o nível e qualidade de proteína, energia, fibra bruta, vitaminas e minerais sendo alguns deles orgânicos), ainda contém alguns aditivos que podem fazer a diferença:
- aditivo à base de leveduras inativas e óleos essenciais. O objetivo deste aditivo é o seguinte: 1) regular o pH ruminal; 2) melhorar a digestibilidade da ração; 3) aumentar a produção de ácido propiónico (C₃H₆O₂) com impacto direto nas performances de crescimento. As leveduras inativas estimulam o consumo de ácido láctico e a produção de ácido acético e propiónico, aumentando assim a produção de ácidos gordos voláteis totais. No que diz respeito aos óleos essenciais selecionados, estes orientam as fermentações ruminais de modo a aumentar a produção de ácido propiónico sem perturbar a flora microbiana;
- associação de outros óleos essenciais e FOS ( fosfoligossacarídos) que contribuem para: 1) melhorar o conforto respiratório; 2) participar no bom funcionamento dos pulmões; 3) favorecer o funcionamento do sistema imunitário.

     

Foi desenhado um alimento em que a principal fonte de proteína é de origem animal (leite em pó), contendo ainda os aditivos descritos anteriormente e níveis elevados de vitaminas e minerais. No que diz respeito à fibra, utilizou-se a polpa de beterraba e luzerna de elevada qualidade. Em termos de características do produto, o lacto-iniciador fornece:
- nível de proteína elevado – 24 %
- fontes de fibras de elevada apetência, polpa de beterraba e luzerna
- minerais e oligoelementos, perfeitamente assimiláveis e equilibrados entre si, permitindo responder às necessidades dos animais, em complementação da alimentação base;
- zinco, importante para a síntese das proteínas e crescimento;
- manganês para a qualidade óssea;
- iodo para apoio do metabolismo energético;
- cobalto, percursor da Vitamina B12 no rúmen, factor de crescimento e de equilíbrio dos microrganismos, indispensável à flora do rúmen para a degradação da celulose;
- selénio para a prevenção da oxidação e proteção das membranas celulares;
- enxofre, favorece a proteossíntese microbiana;
- minerais quelatados, biodisponíveis para garantir uma absorção e metabolização no organismo mais eficaz;
- açúcares, para uma excelente apetência, um bom desenvolvimento da flora do rúmen e uma melhor valorização das forragens (Tabela 1).



Em rebanhos de ovelhas em lactação, em zonas/períodos onde não existe disponibilidade de pastagem e quando não é fornecido alimento para compensar as carências nutricionais nesta fase mais exigente, assistimos ao desmame de animais subnutridos. Como consequência, ocorrem inúmeros problemas nos borregos no período de desmame e na fase de adaptação à engorda. Esta fase de transição/adaptação pode levar mesmo a níveis de mortalidade elevados.
 

ACOMPANHAMENTO DO CRESCIMENTO DOS BORREGOS DURANTE OS PRIMEIROS 9 DIAS – FASE DE TRANSIÇÃO/ADAPTAÇÃO

Este ensaio contou com o acompanhamento de 48 borregos descendentes de ovelhas de várias explorações locais, onde havia muitos animais subnutridos devido à carência alimentar das suas progenitoras durante os meses de agosto a outubro. O teste teve início no dia 27 de outubro de 2020 e terminou passados 9 dias, no dia 5 de novembro.
Durante esta fase, muito exigente, fizeram-se duas pesagens, uma à chegada e outra no final, ao 9º dia do ensaio. Os dados recolhidos foram trabalhados em grupo de forma a aferir o ganho médio diário (GMD) em todo o período.
Relativamente ao programa alimentar utilizado, como descrito anteriormente, os animais foram alimentados com um lacto-iniciador formulado para satisfazer todas as necessidades de adaptação/crescimento, e palha ad libitum.
O resultado, apresentado na tabela 2, demonstra os pesos na fase de adaptação assim como a mortalidade, que foi nula.



Em relação à primeira fase pós-desmame, onde habitualmente ocorre um decréscimo de peso, assistimos a um ganho médio diário de 287 g. A mortalidade foi nula durante este período.
Devido ao interesse da realização de uma análise técnico-económica, podemos observar na tabela 3 que os animais tiveram um consumo médio diário de lacto-iniciador de 625 g. Atendendo ao crescimento médio, podemos afirmar que o índice de conversão foi de 2,178, ou seja, os animais consumiram 2,178g de alimento para obterem 1 kg de peso vivo. Como o preço do lacto iniciador foi de 0,60 €/kg, o custo por kg peso vivo reposto foi de 1,31 € (2,178 x 0,60).


 
CONCLUSÃO
Neste estudo verificámos que a utilização de um lacto-iniciador específico para borregos poderá ser muito interessante em animais provenientes de ovelhas de regiões/épocas onde não existe forragens disponíveis que, consequentemente, obtêm borregos desmamados precocemente e/ou muito pequenos.
Uma vez que o maneio alimentar das ovelhas em fase de lactação não foi, neste caso, efetuado de forma eficiente, um lacto-iniciador para estes borregos é imprescindível por forma a obter um bom desenvolvimento destes após o desmame. Outro aspeto que pensamos ter sido positivo, foi o facto de não ter havido mortalidade mesmo em alguns animais que chegaram muito fracos e subnutridos.





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